segunda-feira, 27 de abril de 2009

Carta de Despedida


Acho que neste mundo ninguém procurou descrever o seu próprio cemitério.Não sei como meu pai vai recebe-lo; mas preciso de todas as forças enquanto é tempo.

Sinto muito, meu pai; acho que este diálogo e o último que tenho com o senhor. Sinto muito mesmo...
Sabe, pai, está em tempo do senhor saber a verdade que nunca nem desconfiou. Vou ser breve e claro. Bastante objetivo.
AS DROGAS me mataram. Travei conhecimento com minha assassina, AS DROGAS, aos 15 ou 16 anos de idade. É horrível, não pai? - Sabe como nós conhecemos isso?
Através de um cidadão elegantemente vestido; bem elegante mesmo, e bem falante, que me apresentou a minha futura assassina: AS DROGAS.
Eu tentei recusar, tentei mesmo; mas o cidadão mexeu com o meu brio dizendo que eu não era homem. Não é preciso dizer mais nada, não é pai?
Ingressei no mundo das DROGAS.
No começo foram as torturas, depois o devaneio, e a seguir a escuridão. Não fazia nada sem que a DROGA estivesse presente. Depois veio a falta de ar, o medo, as alucinações; e logo após veio a euforia do pico novamente. Eu me sentia mais gente do que as outras pessoas; e a DROGA, minha amiga inseparável, sorria, sorria...
Sabe, pai, a gente quando começa acha tudo ridículo e muito engraçado.
Até DEUS eu achava ridículo, e hoje no leito de um hospital, eu reconheço que DEUS é o mais importante de tudo no mundo, e que sem a ajuda dele eu não estaria escrevendo esta carta. Pai, eu só tenho 19 anos, e sei que não tenho a menor chance de viver.É muito tarde pra mim; mas para o senhor, meu pai, tenho um último pedido a fazer:
Diga a todos os jovens que o senhor conhece, e mostre a eles esta carta. Diga a eles que em cada porta de escola, em cada cursinho de faculdade, em qualquer lugar há sempre um homem elegantemente vestido e bem falante, que ira mostrar-lhes a sua futura assassina e destruidora de suas vidas; e que os levará à loucura e à morte, como aconteceu comigo.
Por favor, faça isso meu pai, antes que seja tarde demais para eles. Perdoai-me, pai. Já sofri demais. Perdoai-me também por faze-lo sofrer pelas minhas loucuras.
ADEUS, MEU PAI.
Depois desta carta o jovem morreu.
Caso verídico - Hospital 23 de Maio - São Paulo - Capital

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